quinta-feira, 5 de junho de 2008

P.s Surto part. 01



Introdução



O inverno havia chegado repentinamente esse ano para a surpresa da população daquela cidade, e junto com o inverno, a escuridão.
Giuseppe caminhava pensativo pelos paralelepípedos da Rua Tennessee, um nome comum para uma rua americana, e não percebeu que alguém o observava já há uma hora. Ao cruzar a esquina viu na vitrine de uma loja de roupas masculinas, uma coisa que lhe gelou o sangue. Não era a calça de seus sonhos que estava em promoção, mas sim alguém que se aproximava rapidamente e cujos olhos sustentavam um olhar gélido e impiedoso. Ele segurava uma arma. Como primeiro instinto, Giuseppe olhou ao redor procurando ajuda, mas era uma noite de segunda-feira e já se passava da meia-noite, qualquer chance de apoio era remota. Começou então a correr tentando chegar com vida a um posto policial à duas quadras dali. O assassino vinha logo atrás, frio e calculista, parecia já saber qual seria a atitude de seu alvo e por isso não se exaltou ao ver que ele correu em direção à guarita. Giuseppe corria com toda a força e velocidade que suas pernas conseguiam alcançar. Ele podia sentir a adrenalina fluindo de seu corpo, mas o medo e o desespero o impediam de pensar em qualquer outra coisa que não fosse sobreviver. Cruzou a última rua e viu a luz do posto policial acesa. Correu com mais vontade ainda. Ao chegar à porta bateu com toda força, pois ela estava trancada.
Brian, o policial que estava de plantão aquela noite cochilava quando ouviu o barulho e os gritos na porta. De um sobressalto levantou-se e foi em direção aos ruídos.
Mas já era tarde. Ao abrir a porta um corpo inerte, com um buraco ensangüentado na cabeça, caiu em cima de si. Lá fora, a cinqüenta metros de distância, o assassino riscara o último nome de sua lista.









P.s: Não sei pq escrevi isso apenas sei que está feito. por isso...:





...Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu. (Fernando Pessoa)